quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A CAPITAL



A CAPITAL


          
               Francisco chegou em Natal quando tinha 19 anos de idade. Inicialmente Morou na Casa do Estudante de Natal e posteriormente na casa do seu tio Lourival.
               Estudou no Colégio Leão XIII, na Escola Técnica de Comércio e frequentou o Curso Delta.


                Dizia que, apesar das dificuldades enfrentadas pelas condições daquele local sempre esquecido pelos poderes públicos, foi na Casa do Estudante de Natal que conheceu a vida. Recordava-se dos bons momentos de sua juventude vividos na companhia de tantos outros colegas que chegavam à capital do rio Grande do Norte oriundos de cidades do interior. Assim como ele, a maioria buscava um futuro mais promissor, buscava a liberdade.

 
               Naquela casa, Franscisco viveu o período inicial da Ditadura Militar, mas aparentemente aquele tempo de repressão unia ainda mais aqueles estudantes. Haviam manifestações públicas, palestras, eventos esportivos e festas bastante concorridas. As histórias eram muitas e sempre contadas com uma agradável saudade. 




            Foi na Casa do Estudante que surgiu o apelido que o acompanharia para sempre, pois havia, entre várias brincadeiras comuns aos jovens, o costume de colocar apelidos nos colegas. Por lá passaram figuras como: “O Troglodita”, “peixinho”, “Tio João”, “Chevrolet”, etc. Um colega o chamou de GAMA como contração do nome GAMELEIRA. Outro ouviu, mas não sabia que se tratava do próprio nome dele... achou engraçado, pensou que incomodaria se assim o chamasse, e disse a todos que Francisco era GAMA. Daí por diante, foi conhecido assim pela maioria das pessoas.




              Certa vez disse que formou um time de futebol com os amigos: o Miramar. Este era formado por rapazes que mal tinham dinheiro para se sustentar e durou pouco, mas conseguiu ainda um grande feito: em um jogo amistoso, venceu o Racing das Rocas, time que costumava “dar trabalho” em amistosos contra ABC ou América. Foi comemorado como se fosse um título mundial.

          Durante um tempo, na Casa do Estudante, havia uma diversão inusitada para alguns moradores: toda noite havia uma barulhenta perseguição a um rato. O roedor passava de quarto em quarto, por baixo de camas, caixas, livros e a algazarra era grande entre os estudantes. Até que um dia.....mataram o rato. Naquela mesma noite o tédio tomou conta da casa até que alguém revelou o que todos já sabiam: estavam com saudades da alegria da casa: o rato.


               Uma aventura arriscada durante sua juventude na capital foi em um local conhecido como “Poço do Dentão”, próximo à Praia do Forte/Praia do Meio. Segundo ele, tratava-se de uma piscina natural no meio dos arrecifes. Havia uma das pedras com uma área oca no seu interior, que na maré alta estava cheia d’água, mas na maré baixa virava uma espécie de caverna cujo acesso era através de um mergulho na poça. Eram necessários alguns segundos de nado com a respiração presa até atravessar por baixo do paredão de pedra e chegar à caverna, onde era possível sentar-se e respirar normalmente, enquanto se recobrava o fôlego para a travessia de volta. Nas palavras dele, foi uma experiência que jamais faria novamente, pois posteriormente disseram-lhe que alguns não tinham conseguido voltar de lá.
 

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